Jackson permaneceu na sala o tempo exato para que uma nova conversa entre todos os homens
ali presentes se iniciasse. Ouviu Rosalie suspirar alto antes de deixar o cômodo
em direção a cozinha, e então se levantou adentrando o corredor que levava aos
quartos.
Ruminou por mais alguns instantes a conversa passada e concluiu que o melhor a se fazer
era afundar-se ainda mais nos trabalhos da fazenda, tudo isso com a finalidade
de reerguer o império construído ao longo dos anos. Precisava ouvir e concordar
com os mandados do pai para que tudo corresse bem, e assim o faria. Contava com
a ajuda de Andrew e isso era bom. Não conseguiria manter-se no trabalho por
muito tempo sem as escapadas noturnas na companhia do irmão e as conversas pervertidas
a luz do dia.
O Sol já se escondera através das montanhas e as primeiras estrelas da noite mostravam
seu brilho fraco através de um céu azul escuro. As nuvens se foram, seria uma
bela noite de luar intenso sobre suas cabeças. Um belo dia na cidade, pensara Jackson ao abrir os botões da camisa
deixando a mostra o peito nu. Alisara as pequenas dobras dos músculos incrustados
no abdômen, antes de deslizar um líquido de cheiro fraco e inebriante junto à
pele. Afagando os poros e misturando-se aos resquícios de suor, o cheiro exalado
era ainda mais delicioso, ainda mais corpulento e másculo.
Devolvera a camisa ao corpo fechando os botões com incrível calma. Inspirara um vento
ralo e fresco por duas vezes caminhando até a alta janela para observar o
horizonte. Encontrara Andrew na companhia de alguns homens da fazenda a rirem
debochadamente de alguma piada contada entre eles. Uma garrafa de líquido
transparente passava de mão em mão, sendo absorvida por lábios sedentos. Assentira
para seus próprios pensamentos antes de deslizar as botas para fora do quarto.
- Hey Jackson! – Andrew agitou-se correndo de encontro ao irmão, a garrafa em mãos. Logo fora
estendida na direção de lábios famintos e secos, envergados nas laterais em
forma de um sorriso arrebatado. – O negror não tarda irmão, devemos partir! –
Todos sabiam o que significava cada sílaba nas palavras de Andrew. Deveriam ir
de encontro a elas, a calmaria de um
fim de dia turbulento.
- Então vamos logo. – Jackson se pronunciou agarrando a garrafa entre os dedos rindo
alto aos comentários e xingamentos dirigidos a ele pelo monopólio obtido. Caminhou
alguns metros até o enorme jipe a espera. Jogou-se no banco ao lado, esperando
que alguém fizesse às vezes de motorista e o deixasse a vontade com a bebida
forte inundando seu corpo.
- Por que sempre eu? – Andrew murmurou alto o suficiente para um novo riso brotar entre a
garganta úmida de Jackson. – Isso já está ficando chato.
Esperaram poucos segundos até o carro ser completamente ocupado pelos outros homens famintos e desejosos. Gritavam e urravam
de desejo, pensamentos e palavras asquerosas e pervertidas inundando o espaço minúsculo
entre eles.
Sob a estrada de solo arenoso e batido, apenas as rodas ferozes do jipe. Os faróis
fortes e densos eram as únicas luminosidades que cortavam o furor de uma
negritude absurda. Os risos altos, as palavras incandescentes, as meias músicas
veementes, eram as únicas vozes na noite serena. O vento nos cabelos, inundando
os rostos, elevando seus cheiros, a lua cheia formosa, as estrelas cintilando
através do céu, o cenário mais que perfeito para seus atos.
Uma sexta-feira monótona e cheia de vida, cheia de desejos, prazeres e gostos espalhados pelas
ruas semi cheias de uma insignificante cidade. Era tudo que eles precisavam e
tudo que elas desejavam durante toda
a semana.
Produzindo seus cabelos volumosos em cachos definidos, os lisos em descaídas pelas costas,
vestidos bem passados e meticulosamente alinhados no corpo lúbrico. Lábios
carnudos revestidos por espessas camadas cremosas de uma tintura avermelhada,
deslizando através da saliva um desejo tão intenso. Subiam em saltos médios e
altos, pedindo atenção aos corpos masculinos que ingeriam em excesso uma bebida
barata. Os seios marcados por espartilhos gritavam em luzes coloridas, pedindo
alguém para envolvê-los. E era disso que os homens no carro que acaba de
estacionar em um bar qualquer, pediam e imploravam desesperadamente.
- Let’s Go! – Anunciou Andrew com exemplar
ansiedade. – A noite está apenas começando.
Saíram todos em um rompante. A garrafa vazia deixou seu lugar confortável nos dedos de
Jackson, para quebrar-se em pequenos pedaços sob o chão duro. Estilhaços de
vidro projetaram-se para todos os lados, abafados por botas sujas e duras.
O bar era pequeno. Cadeiras velhas e empoeiradas rodeavam mesas do mesmo estilo. Sob um
balcão aonde cupins e traças se aglomeravam, alguns copos sujos e garrafas pela
metade. Os bancos altos jogados de qualquer forma, homens gordos e velhos
fumando suas ervas enquanto alimentavam uma conversa fútil com o arcaico dono prostrado
atrás. Ao fundo a visão absurda de seus próprios paraísos. Novas e cheias de
vida, despejando o mel fluente de suas entranhas sob as roupas repletas de
adornos.
Jackson sentou-se em um dos bancos no balcão e pediu uma cerveja. Desenhou círculos sob
a madeira empobrecida. Iria saborear a fermentação nos lábios antes de jogar-se
com fúria para os olhares queimando em suas costas.
- Bela noite. – Murmurou para si mesmo ao sentir um perfume adocicado bem próximo. –
Realmente será uma bela noite. – Engoliu o líquido morno deixando-o trilhar um
caminho de aquecimento sob a mucosa interna.
- Jackson! – Um homem alto, de proporções grandes e grotescas, rugiu em sua voz
trovejante enquanto jogava-se sob o banco ao lado de Jackson. Olhos azuis ferocíssimos,
crispando de excitação. Os músculos rasgando-lhe o peito nu.
- Kellan.
– Um aceno de cabeça em cumprimento. – Como vai?
- Um pouco melhor do que bem. – Seu riso descomunal transpassou o curto espaço entre
eles. – Acabo de sair de duas. Isso
responde a sua pergunta?
Riram em uníssono.
- Não precisa dizer mais nada!
- Ótimo. – Kellan pediu uma garrafa inteira de vinho. Em um só átimo jogou a rolha através
do salão, deixando-a pousar sobre a mesa minúscula em que duas damas a adornavam. – E então, como
estamos por aqui?
- Parece uma gama bastante diversificada. – Conclui Jackson voltando seus olhos para as
demais senhoras espalhadas por ali. – Mal posso escolher.
- Todas muito atraentes é verdade – Disparou Kellan -, mas não acho que muito
produtivas. Não posso ver o histórico em seus olhos. – Ele fez sua voz aumentar
para que a pacata fêmea ao lado de Jackson se manifestasse. Um sorriso
zombeteiro pairou em seus lábios quando ela o fez.
- Duvida de nós querido? – A voz era como uma nebulosa vagando no céu. Ela se levantou,
o assobiar baixo dos saltos na madeira. Uma mão pequena, tão delicada quanto
uma porcelana, desconcertando um membro recém satisfeito através do grosso
tecido de um jeans. – Espero que retire isso. Nós poderemos ficar bem chateada
com sua dúvidas, deixando-o incontrolável.
- Vocês não ousariam tal coisa. – Ele murmurou em seu ouvido, pegando-a pelo pulso e a
trazendo para si. Uma mordida violenta no lóbulo. – Vocês não conhecem a força
do meu punho, nem a urgência do meu membro. – E então migrou a pequena mão para
a rocha viva entre suas pernas. – Deixe-o solitário por cinco segundos e saberá
o quão forte ele poderá ser para rasgar-lhe ao meio.
- Eu não o deixaria sozinho… – Ela se desvencilhou da mão forte de Kellan abandonando
também o banco ao lado de Jackson, preferindo semear as dúvidas para as outras
companheiras no fundo do bar. Kellan trovejou sua gargalhada sendo seguido por
Jackson antes de concluir com um certo dar de ombros de pesar.
- Essas vadias cada vez mais audaciosas. Elas
não nos conhecem…
- Definitivamente não. – Emendou Jackson antes de virar seu corpo para encontrar
seus companheiros flertando com algumas morenas em seu lado oposto. Andrew
deslizava os dedos pela coxa desnuda de uma mulher baixa de proporções esquálidas.
Eram suas favoritas. Em pouco mais de meia hora clamavam para que ele parasse e
enquanto invadia seu fundo a sentia desfalecer em seus braços. Iscas fáceis
para suas fantasias mais íntimas, aquelas que ele jamais poderia cogitar
executar com uma mulher em sã consciência.
Beberam por mais alguns segundos. Jackson desejava internamente conquistar uma
deliciosa garota com ar tímido e obstinado ao fundo. Tinha cabelos ondulados
que caiam sob as costas e sob os ombros em uma cascata semelhante ao mel das
abelhas rainhas. O vestido rosa claro aumentava os seios cobertos por um véu branco
e fino. Deixava os lábios rosa umedecidos com a própria saliva e despejava
algumas palavras com uma outra mulher mais baixa ao seu lado. Forjava-se como
uma competente dama da sociedade. Uma farsa para atrativos.
-Interessado na boneca? – Kellan perguntou em um tom baixo. – Deve ser uma
daquelas bonecas atrevidas que nos
subestimam com os olhos. Eu a fazia implorar para que eu a invadisse, a
molestando com os dedos. – Uivou um riso seco. – Vai encarar?
- Mal posso esperar para vê-la sob mim, fazendo-me sentir como um cavalo a galopar
pelos campos. – Riu consigo mesmo preparando as armas disponíveis em seu
arsenal.
Os olhos buscavam passivamente os quatro cantos do pequeno salão que compunha o bar. Ao
passar pela porta, sentiu um gotejar de excitação elevando-se em seu sangue. Foi
quando viu pela primeira vez, um par de olhos que sorriam encantadoramente e
devastadoramente, jogando a repugnância sob os lábios calmos de suas íris sem
cor.
- Quem é ela? – Disparou para Kellan certificando-se de que seus olhos não perderiam o
contato com as feições delicadas e tão diferentes das demais mulheres ali. Era
como observar um novilho novo em uma manhã de Natal. Tal comparação perfeita
para seu cérebro em falha total. Coordenação e sanidade esvaindo e evaporando
como o suor que antes se arrastava através de sua pele.
- Quem? – Embaraçado Kellan seguiu o olhar inflamado do amigo e praguejou mentalmente as
malditas calças escuras cobrindo uma silhueta ainda mais perfeita do que a
definição que rodopiava sua mente. – Nunca a vi. Coxas e seios novos? Talvez.
Cabelos lisos em um tom dourado ofuscante. Para os homens presentes ali, olhos claros e
gélidos, para Jackson um par de sorrisos. No corpo uma justa calça de panos
negros, tão negros quanto à noite, invadindo e arruinando a moda do momento,
fazendo as bocas das mulheres escancararem com o corpo gingando e coberto por
roupas consideras masculinas.
Seios fartos eram realçados pela pequena abertura de botões de uma blusa branca
colada ao corpo. Botas de couro elevando-se até a altura dos joelhos. Uma visão
diferente junto ao cenário tão conhecido. Membros enrijecidos, respirações
elevadas, corações pulsantes. Um olhar fulminante e uma esperteza semelhante a
de uma raposa velha correndo pelas florestas perigosas.
- Pode ficar com a boneca se quiser. – Jackson falou levantando-se com cautela, como
uma cobra a ponto de dar o bote. – Preciso respirar outros ares esta noite.
- Boa sorte com isso. – Ouviu uma voz vinda de traz, sem se preocupar com seu
destino.
A bela mulher encostou-se no balcão. O velho a sua frente sorriu inescrupulosamente,
pensamentos agitados. O que ela desejava? O que ela buscava?
- O que deseja princesa? – A voz opaca mal terminou de se desfazer antes de um ofegar
baixo.
- Leite. – Fora a única palavra que escapou de sua garganta.
O velho riu. Encarou mais uma vez a luminosidade gritante das maçãs de rosto formosas a
sua frente e voltou-se para uma grande lata prostada a seu lado. Retirou uma
caneca esmaltada de um dos ganchos na parede ao fundo e a imergiu em um leito
puríssimo e tão branco quanto à neve. Deixou o líquido cair sob um recipiente
escuro em formato de moringa, mantendo o processo por mais três vezes.
Jackson pigarreou baixo antes de deixar o corpo cair ao lado da mulher, jogando para o
lado o copo que trazia em mãos.
- Tão bela. Tão bela quanto à lua cheia que se desmancha em cetim lá fora. – Um riso.
Os olhos sorridentes e frios em seus olhos viris. – Permita-me me apresentar. –
Estendeu a mão calejada. Não recebeu nada em resposta. – Jackson Rathbone
senhora. Ao seu inteiro dispor.
Novamente o silêncio. O olhar se fora, agora buscava duas notas amassadas em um dos
bolsos da calça. Deixou-as no balcão e segurou com uma mão o leite que fora lhe
oferecido.
- Obrigada. – Como voz de uma soprano, agradeceu rudemente enquanto deixava os
pés fazerem o trajeto pequeno até a saída. Lento demais, curto demais. Uma mão
forte segurou seu braço. Como um potro nervoso fez a menção de soltá-la. Em vão.
– Me solte! Me solte agora seu porco! – Cuspiu as palavras. Jackson sorriu.
- Oh querida, acalme-se! Quero apenas conversar. – Cansou-se de vê-la debatendo-se e
a puxou em um tranco para seu peito. Os dentes dela rangeram de nojo ao sentir
o verdadeiro cheiro de homem ao seu redor.
- Eu não quero conversar com você! – Ela forçou sua saída dos braços de Jackson que já
se tornavam fortes a sua volta. Gritava com força, atiçando os olhares dos
homens a seu redor. – Me solta!
- Deixe de ser uma novilhazinha mesquinha. – A voz rouca e grave de Jackson massageou
seus ouvidos. – Eu quero apenas conversar. Se me conceder isso, posso fazer sua
noite um pouco mais agitada do que ir dormir ao som dos animais da noite.
- Qualquer animal seria mais bem-vindo do que você! – Com um puxar forte, ela se
soltou e caminhou rapidamente para fora do bar sem olhar para trás. Jackson a
olhou se perder na noite sem ir atrás dela. Um sorriso torto nos lábios. Pela
primeira vez perdera uma isca. Uma maldita de uma isca! Praguejou mentalmente
antes de descer os dedos através da calça em um tom acariciador sobre o membro
rochoso. A ponto de explodir seu jeans, ele
projetava-se firme, em um formato que desejava invadir algum lugar quente e úmido.
Rápido.
Jackson permitiu que sua raiva e ódio o dominassem. Os olhares dos homens incrustados
em seu rosto. Como ele deixara escapar?
Ele nunca fizera isso antes!, eram os lamurios atordoados nas mentes.
Ele caminhou a passos largos até o fim do bar, agarrou com força o braço de
porcelana da Mulher de Rosa e a puxou contra seu peito, comprimindo seus lábios
raivosos em seus lábios úmidos. Um beijo rascante, enervado, arrasador.
O corpo da mulher projetado contra seu membro. A pegou com toda a força e energia presa
em seu estoque e a migrou para fora do lugar. Andou alguns metros na noite
densa e não se preocupou com os lamentos despejados através de uma voz mimada.
Jogou o corpo mole em uma relva alta, arrancou os cintos grossos da calça jogando-o em
um canto qualquer. Aproximou-se da mulher, comprimindo seu corpo pesando junto
a ela. Com uma mão procurava o fecho de sua própria calça, com a outra subia
sem medo o pano fino do vestido, rasgando violentamente a roupa íntima que a
cercava. Cegou os olhos, deixou os ouvidos mudos, não quis ouvir mais nada. Com
uma estocada violenta rasgou a noite e o que pôde ouvir além de seu próprio
arfar, eram gemidos dolorosos abaixo de si.
